segunda-feira, 7 de março de 2011

"Julieta dos Espíritos", de Fellini, e o Dia da Mulher



Algo que li hoje de Fellini sobre seu filme "Julieta dos espíritos", de 1965. Minha homenagem ao Dia da Mulher, amanhã, 08/Março:

"A masculinização da mulher é uma das coisas mais horríveis que pode acontecer. Não, a mulher não deve emancipar-se por imitação- o que seria um desenvolvimento no âmbito daquela famosa sombra masculina-, mas sim descobrir sua prória realidade, uma realidade diferente. Diferente, me parece, da do homem, mas profundamente complementar e integrada à aquela. Seria um passo na direção de uma humanidade mais feliz."

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Divagações nas aulas de violão



Fazendo aulas de violão há quase dois anos, já é possível tocar algumas músicas. Mas sou tímido, e não gosto de errar em público. É até uma boa oportunidade para trabalhar isso...

Algumas divagações e constatações interessantes que me ocorreram nas aulas de violão:

1. Não consigo aprender observando gestos de outra pessoa. Geralmente quem aprende violão absorve muito vendo o professor e os outros tocarem. Eu só consigo aprender uma música através da leitura da cifra e da batida escritas. Isso me fez lembrar dos tempos de escola, em que absorvia pouca coisa do que os professores falavam (e eles faziam isso a maior parte do tempo), e tinha mais facilidade em aprender lendo os livros e apostilas. E me ocorreu que a escola (não sei se é assim hoje) deveria estar preparada para lidar com esse perfil de aluno, ao invés de submeter todos aos mesmos métodos pedagógicos.

2. Há de fato um parentesco entre os gêneros musicais que conhecemos. Me convenci disso através das batidas de violão, que é algo que me fascina (sempre que possível quero aprender uma música com uma batida diferente). Adoro música disco (anos 70), e acho a batida muito legal. Por exemplo: Nice and Slow, de Jesse Green. E não é que a ótima "Essa boneca tem manual", de Vanessa da Mata, tem a mesma batida? E Queixa, de Caetano, que é uma das minhas favoritas, também?! Aí percerbo a influência entre as tendências na música. Os discos de Caetano dos anos 1970-80 têm muita influência da discoteca. Assim como ela influenciou também Rita Lee, Gil, Ney Matogrosso... agora descobri a batida do carimbó, através da interpretação de "Sinhá Pureza" por Vanessa da Mata. O carimbó tem a ver com a lambada. E por aí vai... :-)

domingo, 13 de junho de 2010

Dois costumes curiosos do cinema americano


Como diz Caetano (em Black or White, do album Circuladô ao Vivo), os americanos representam boa parte da alegria existente neste mundo. Creio que muito disso se deve à sua música e ao seu cinema.

Mas dois costumes curiosos quase unânimes associados à representação no cinema americano me chamam a atenção:

1. O ator e o personagem devem ter afinidade de personalidade e características. É preciso que o público acredite que o ator seria capaz de realizar as mesmas coisas que o personagem, caso fosse exposto a situação idêntica. Ou seja, ele é o próprio personagem. :-)

2. Talvez como uma extensão do outro costume, o ator precisa ser fisicamente igual ao personagem para que tenha credibilidade. O cinema americano é muito físico. Como prova de sua capacidade de representação, os atores precisam engordar, emagrecer, usar vendas nos olhos até dispensar a visão, etc. O ator normalmente é reconhecido e elogiado quando passa por um processo doloroso de adaptação física ao personagem. E vice-versa.

quarta-feira, 9 de junho de 2010


Época de São João, uma homenagem ao meu ídolo Genival Lacerda. Essa letra é rara na internet.


Americanizado
(Jorge de Altinho / Genival Lacerda)
Gravação: Genival Lacerda
Gravadora: RCA (BMG – Ariola)
Ano: 1986

Aqui tudo mudou, tudo tá mudado!
Aqui tudo pirou, tudo mudou, tá tudo americanizado

Até logo é tchau, e rapaz é BOY
Eu não entendo o que se fala por aqui
Na lanchonete é SELF-SERVICE e SANDWICH
Só se veste STONE WASHED, JEANS e calça LEE
Até no rádio o locutor só fala inglês
Só se ouve SHOW, POWER e ROCK'N'ROLL
Um tal de LOVE, mãe, quer dizer amor
Até Paulo de Quitéria mudou o nome pra PAUL


Um cachorro de pano se chama SNOOPY
Um OK quer dizer tudo acertado
Uma loja variada é SHOPPING CENTER
Um MOTEL é do casal sem estar casado
Mamãe, aqui tá tão americano
Que a criança só brinca com ODYSSEY
Meu gravador só toca apertando o PLAY, mãe
Aquele povo macho-fêmea agora é GAY

quinta-feira, 18 de março de 2010

Reflexões...

Não tentar transformar os outros em nós mesmos é um exercício para toda a vida. Espero pelo dia em que não irei me perceber fazendo isso com frequência.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Quatorze preceitos do budismo engajado socialmente

Quando era mais novo (nao faz muito tempo!) me interessava por zen budismo.

Encontrei essa semana os preceitos a seguir. Cara legal esse Trich Nhat Hahn.

Os quatorze preceitos do budismo engajado socialmente, como delineado por Trich Nhat Hahn:


1. Não seja idólatra por causa de nenhuma doutrina, teoria ou ideologia, mesmo as budistas. Os sistemas budistas de pensamento são meios de orientação; eles não são a verdade absoluta.

2. Não pense que o conhecimento que você possui no presente é imutável, ou que ele é a verdade absoluta. Evite ser fechado e estar preso a opiniões presentes. Aprenda a praticar o desligamento de pontos de vista a fim de estar aberto a receber os pontos de vista de outros. A verdade é encontrada na vida e não simplesmente no conhecimento de conceitos.

3. Não force os outros, incluindo crianças, por nenhum meio, a adotar seus pontos de vista, seja por meio de autoridade, ameaça, dinheiro, propaganda, ou mesmo educação. Entretanto, através do diálogo compassivo, ajude os outros a renunciarem o fanatismo e a estreiteza de idéias.

4. Não evite o sofrimento, não feche seus olhos ao sofrimento. Não perca a consciência da existência do sofrimento na vida do mundo. Encontre maneiras de estar com aqueles que estão sofrendo, incluindo contacto pessoal, visitas, imagens e sons. Por tais meios, lembre a si mesmo e aos outros à realidade do sofrimento no mundo.

5. Não acumule riqueza enquanto milhões passam fome. Não faça o objetivo da sua vida adquirir fama, lucro, riqueza, ou prazer sensual. Viva simplesmente e compartilhe seu tempo, energia e recursos materiais com aqueles que estão passando necessidades.

6. Não mantenha a raiva ou o ódio. Aprenda a penetrá-los e transformá-los enquanto eles ainda só existem como sementes na sua consciência.

7. Não se perca nas distrações à sua volta, mas continue sempre em contacto com tudo que é maravilhoso, refrescante e curativo dentro de você e ao seu redor. Plante sementes de alegria, paz e entendimento em si mesmo, a fim de facilitar o trabalho de transformação nas profundezas da sua consciência.

8. Não pronuncie palavras que podem criar discórdia e causar a quebra da comunidade. Faça todos os esforços para reconciliar as pessoas e resolver todos os conflitos, nem que sejam pequenos.

9. Não diga coisas falsas nem por interesse pessoal, nem para impressionar as pessoas. Não diga palavras que causam divisão e ódio. Não espalhe notícias que você não sabe se são verdadeiras. Não critique ou condene coisas das quais você não tem certeza. Sempre fale a verdade, de maneira construtiva. Tenha a coragem de levantar sua voz quando vir uma situação injusta, mesmo quando ao fazer isto você coloca sua segurança em perigo.

10. Não use a comunidade budista para ganho ou lucro pessoal, e não transforme sua comunidade em um partido político. Uma comunidade religiosa, no entanto, deve tomar uma atitude clara contra a opressão e injustiça, e deve tentar mudar a situação sem se envolver em política partidária.

11. Não viva com uma vocação que é nociva aos seres humanos e à natureza. Não invista em companhias que privam outras pessoas da sua chance de viver. Selecione uma vocação que o ajude a realizar seu ideal de compaixão.

12. Não mate. Não deixe que outras pessoas matem. Encontre todos os meios possíveis de proteger a vida e impedir a guerra.

13. Não possua nada que deveria pertencer a outras pessoas. Respeite a propriedade dos outros, mas impeça os outros de lucrarem do sofrimento humano ou do sofrimento de outras espécies na Terra.

14. Não maltrate seu corpo. Aprenda a cuidar dele com respeito. Para preservar a felicidade dos outros, respeite os direitos e os compromissos dos outros.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre as declarações de Caetano


Como disse Lula a respeito de Hugo Chavez, entendo, mas não concordo com as declarações de Caetano sobre Lula (reprodução abaixo).

Fico muito a vontade para comentar porque sou fã dos dois. Considero Caetano um dos artistas mais brilhantes, senão o mais brilhante, do século XX.

E desde os meus 17 anos voto repetidamente em Lula, para mim um gênio do carisma e das relações humanas. Sempre votei em Lula esperando exatamente essa performance em termos de resultado de governo, embora torcesse por um Lula mais rebelde, que talvez não desse certo. É pena que o Brasil não o elegeu antes, e de 1989 pra cá a nossa situação social e ambiental tenha se agravado tanto.

Penso que a história de vida de Caetano infelizmente lhe tenha feito esperar que o Brasil fosse visto como grandioso nas nãos de um professor, de um sociólogo. Que seria preciso uma pessoa de berço, mas ao mesmo tempo sensível, para fazer o Brasil acontecer. Lula tá longe disso, mas deu muito mais certo do que essa alternativa.

O que deve incomodar (e muito) a uma mente sutil e inovadora como a de Caetano não é (óbvio) a escolaridade de Lula, mas o seu raciocínio sequencial e simplista, de feijão com arroz, de torcedor de futebol. Mas um político de eficiência ímpar.

Já era tempo de Caetano perceber que é possível conciliar as duas coisas. E que nesta década precisávamos muito de um líder como Lula.

Mas concordo com Caetano que 2010 é a vez de Marina!

http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=40687&mdl=49

Redação CORREIO

Como sempre faz nas entrevistas, o cantor e compositor baiano Caetano Veloso não teve meias-palavras e soltou o verbo. Desta vez, falando para o jornal O Estado de S. Paulo, ele fez declarações polêmicas relacionadas ao presidente Lula, a quem chamou de analfabeto, cafona e grosseiro.

O santo- amarense, que toca na capital paulista hoje (6), amanhã (7) e domingo (8), afirmou que votará na ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, nas próximas eleições presidenciais. “Pode botar aí. Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo”, afirmou. E foi além: “Ela (Marina) é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando e grosseiro. Ela fala bem”.

Caetano também comentou sobre a situação atual do país, citando uma matéria publicada no jornal americano The NewYork Times. “Sempre achei que o Brasil é um país com destino de grandeza e uma originalidade fatal”, disse. O cantor e compositor também revelou que não temccelular e que se considera parcimonioso com relação à tecnologia, mas que gosta muito de trocar mensagens em e-mails.

(Notícia publicada na edição impressa do dia 06/11/2009 do CORREIO)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O que fazer com o lixo eletrônico?

O que fazer com o lixo eletrônico?
Por Stella Dauer

http://br.especiais.yahoo.com/plug-play/artigo/post/tech_noticias/7/O-que-fazer-com-o-lixo-eletr%C3%B4nico%3f.html

O lixo eletrônico é um dos mais novos problemas da modernidade. Em um mundo em que os produtos são feitos para serem substituídos, o chamado resíduo tecnológico começa a acumular de maneira preocupante em aterros e lixões.

São milhões de celulares, computadores, DVDs, impressoras, notebooks, televisores, tocadores de música e outros aparelhos eletroeletrônicos descartados sem cuidado, mostrando que seus antigos donos não sabem que esse tipo de material deve ter tratamento e destino adequados para evitar a poluição e a contaminação das reservas naturais e do meio ambiente.

De acordo com o Greenpeace, 50 milhões de toneladas de eletrônicos são descartados por ano em todo o mundo. Preocupada com isso a ONG lançou há três anos o "Guia de Eletrônicos Verdes", que mostra periodicamente uma nova versão de um ranking composto pelas 18 maiores empresas do ramo no mundo. Quanto mais colaboram para tornar seus produtos menos nocivos ao meio ambiente, mais sobem nas colocações.

Quando o material eletroeletrônico é jogado fora sem cuidado, a sua exposição ao sol, à água e ao tempo provoca vazamentos e deterioração de materiais que contaminam o solo e os rios, chegando inclusive aos alimentos consumidos por pessoas e animais.

Entre os maiores problemas do resíduo eletrônico estão as pilhas e baterias. Compostas geralmente por chumbo, cádmio, mercúrio, manganês, cobre, níquel cromo e zinco, são altamente poluentes e causam estragos quando em contato com a natureza, uma vez que esses metais nunca se decompõem no ambiente e se acumulam com facilidade no corpo dos seres vivos.

Qual a situação no Brasil e no mundo?
As Nações Unidas apoiam o reparo e o comércio de recicláveis e a União Europeia já adota a Convenção de Basileia, que proíbe o descarte de lixo eletrônico em aterros e a exportação para outros países desde os anos 90, criando uma indústria específica para esse nicho.

Nos Estados Unidos, onde o tempo médio de uso de um computador é de 18 a 24 meses, existem leis destinadas exclusivamente à eliminação de baterias e no Canadá já existem impostos adicionados aos eletrônicos que possuem certos elementos químicos em sua composição. Entre 50% a 80% do lixo eletrônico produzido em países desenvolvidos acaba sendo exportado para países em desenvolvimento, como o Brasil e outros locais na África, onde acabam sendo incinerados para a recuperação de metais. Esses processos geralmente se dão de forma ilegal e contaminam o ar.

No Brasil, entretanto, ainda não existem leis que regulem a produção desenfreada do lixo eletrônico. Carlos Américo, representante do Ministério do Meio Ambiente informa que a única legislação relacionada ao assunto é a lei ambiental (Resolução Conama 257 de 30/06/1999), que estabelece limites para o uso de substâncias tóxicas em pilhas e baterias e delega ao varejo a responsabilidade de ter sistemas para coleta destes materiais e encaminhá-los para reciclagem junto aos fabricantes. Uma Política Nacional de Resíduos Sólidos tramita no governo desde 2007, ainda sem aprovação final.

Resta às empresas cumprirem seus papéis e cuidarem para que aquilo que produzem e vendem seja descartado da maneira correta. Não só as empresas, mas também o consumidor pode tomar providências para evitar um colapso no sistema de limpeza pública e evitar um desastre ambiental eminente.

O que você pode fazer?

Computadores - Mesmo achando que o seu PC não presta para mais nada, muitos ainda podem aproveitá-lo para muitas coisas. Uma boa opção é doar para uma instituição como a "Fundação Pensamento Digital", que aceita modelos com processadores acima do Pentium II, além de monitores, teclados, mouses e cabos em funcionamento.

Além dessa instituição, outras como a ONG "Comitê para Democratização da Informática" também aceitam computadores em todo o Brasil, além de periféricos, scanners e impressoras. Com as doações o CDI busca levar o conhecimento da tecnologia à população de baixa renda.

Caso seja uma raridade, é possível levar sua relíquia ao "Museu do Computador", que aceita doações de equipamentos para compor seu acervo. Além do seu PC velho, eles também aceitam HDs, disquetes, placas-mãe, softwares, livros, revistas e até material antigo de escritório. Em uma oficina especializada, os equipamentos doados são revisados e consertados para exposição.

Jose Carlos Valle, presidente e curador do museu, ressalta que a vantagem em doar as peças ao local é o uso de tudo o que é entregue. "Não jogamos nada fora, aproveitamos tudo. As peças de museu serão guardadas, e as outras são separadas para diversos fins como fazer quadros etc." declara. Consciente do problema do lixo eletrônico Valle ministra palestras informativas sobre o assunto, nas quais dá ideias do que mais pode ser feito com a sucata tecnológica, como roupas e esculturas.

Impressora - Em vez de jogar sua impressora fora quando for realizar um upgrade no escritório, utilize-a para conseguir um desconto em novos equipamentos. O programa "Novo Trade In da HP" dá um vale compras de até R$200,00 na compra de impressoras e multifuncionais para quem trouxer seu aparelho usado.

Celular - Se você está cansado do seu celular e comprou outro a primeira coisa a fazer é tentar vendê-lo em um dos tantos sites de venda ou em listas de emails, entre amigos. Outra opção é dá-lo a alguém, pois sempre há quem tenha um modelo pior do que o seu, ou que tenha sido roubado ou quebrado. Passar um celular a outra pessoa aumenta a vida útil do aparelho e prolonga a data do seu descarte.

Caso você não queira dar e nem vender, ou seu celular quebrou, caiu na privada etc., existem muitos locais em que você pode depositar a bateria, o aparelho e inclusive acessórios do celular. As operadoras Claro, Vivo e TIM recolhem esse tipo de material em muitas de suas lojas e as fabricantes Sony Ericsson, Nokia e Motorola também possuem programas de recolhimento de aparelhos e acessórios.

Baterias, pilhas de câmeras, relógios e outros - Muitas empresas possuem um local próprio para que seus funcionários descartem seu lixo eletrônico. Se esse não for o caso da sua, procure o Papa Pilhas, projeto do Banco Real em parceria com outras empresas que espalha em shoppings, empresas e agências bancárias repositórios nos quais podem ser descartadas baterias variadas e pilhas de eletroeletrônicos em geral.

Segundo o "site do projeto", até o final de 2008 mais de 170 toneladas de material foram recolhidas e enviadas à empresa Suzaquim, uma das únicas empresas no Brasil autorizada a reciclar esses produtos.

O Papa Pilhas não aceita baterias maiores do que 500 gramas ou com dimensões maiores do que 5 x 8 cm, mas de acordo com a lei a devolução desses itens deve ser feita no local de compra ou ao fabricante.

Lâmpadas - Segundo a Apliquim, empresa especializada em processamento de lâmpadas descartadas, o processo acima vale também para as lâmpadas, sejam elas fluorescentes ou incandescentes. Uma vez que seu vidro não pode ser reciclado da forma normal, elas devem ser devolvidas ao local em que foram compradas.

Atenção com o que compra - Pilhas falsificadas e irregulares representam um risco ainda maior ao meio ambiente, pois podem vazar com maior facilidade. Exija do vendedor todas as informações possíveis a respeito da origem da pilha, e desconfie do camelô que vende aquelas marcas chinesas por três reais e adquira apenas marcas conhecidas.

Além disso, prefira aparelhos portáteis cuja bateria pode ser removida. Produtos que possuem pilhas embutidas duram menos e é mais difícil encontrar um local para substituir sua carga.

O que é feito com o lixo eletrônico?
No Brasil, todo tipo de bateria recarregável como as que utilizamos em notebooks, máquinas fotográficas, celulares e pilhas recarregáveis e que são recolhidas para a reciclagem costumam passar por um processo de desencapação e os metais contidos em seu interior são queimados em fornos industriais de alta temperatura com filtros que impedem a emissão de gases poluentes. Ao final são obtidos sais e óxidos metálicos, que posteriormente são utilizados em tintas, vidros, cerâmicas e química em geral.

Um processo semelhante acontece com outros tipos de equipamentos. Computadores, celulares e outros eletrônicos são desmembrados em várias partes (metais, fontes, placas de circuito, plástico) manualmente ou de forma automática. Segundo a Nokia, seus aparelhos e acessórios têm em sua composição 45% de plástico, 20% de cobre, 10% de materiais cerâmicos e 25% de outros materiais, todos eles com 100% de capacidade de reaproveitamento. O material separado pode ser moído ou derretido, voltando à sua origem e entrando na fabricação de novos produtos, que nem sempre são eletroeletrônicos.

Mas o site "Lixo Eletrônico" afirma que o Brasil ainda não possui um processo completo de reciclagem de materiais. Após a separação das partes mais valiosas manualmente, o resto do lixo eletrônico é moído e enviado para fora do país. O site também informa que em alguns lugares esse processo é executado por crianças de 12 anos.

Joga fora no lixo
Uma iniciativa divertida aconteceu no último dia 3 de outubro no Gramadão da Vila A, local de morada de trabalhadores da hidrelétrica Itaipu Binacional. A segunda edição do "Campeonato Sul-Americano de Arremesso de Celular e o 1º Campeonato Mundial de Arremesso de Notebook" reuniram 120 pessoas com o objetivo de conscientizar os participantes sobre a importância do lixo eletrônico.

Cobrando uma inscrição de 2 quilos de alimento os campeonatos premiaram aqueles que conseguiram arremessar os equipamentos o mais longe possível com ingressos para hotéis e passeios turísticos. "Todo o material utilizado no torneio não funciona mais, foram sucatas doadas por seus donos ou assistências técnicas" avisa Gabriel Campos, coordenador do evento.

Ricardo Pires Garcia levou o primeiro lugar ao arremessar seu celular a 87,44 metros de distância, quebrando seu próprio recorde feito no ano anterior, e Roberson da Luz foi o vencedor da categoria dos notebooks, alcançando a marca de 25,85 metros. Os celulares e notebooks arrecadados foram destinados para a COAAFI (Cooperativa dos Agentes Ambientais de Foz do Iguaçu) e os alimentos serão doados para o Projeto Mão Amiga, instituição que acolhe moradores de rua em Foz do Iguaçu.

O evento teve grande repercussão na cidade e na mídia nacional. "Nosso objetivo era chamar a atenção para a quantidade de produtos eletrônicos produzidos no mundo, 50 milhões de toneladas/ano, e fazer a pergunta: 'Qual o destino final destes produtos?'. Acredito que a semente foi lançada" comenta Gabriel, que ficou satisfeito com o resultado.

Geek.com.br

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Footprint Calculator

Footprint Calculator

How much land area does it take to support your lifestyle?

http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/calculators/

Take the quiz to find out your Ecological Footprint, discover your biggest areas of resource consumption, and learn what you can do to tread more lightly on the earth.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Qual é a hora certa para ir banheiro em um filme?

Olha só - por Ricardo Calil

28/05/2009 - 22:03
Qual é a hora certa para ir banheiro em um filme?

Deu no Blue Bus: existe um site americano que indica os melhores momentos para ir ao banheiro no meio de um filme, os chamados tempos mortos, em que rola pouca ação. O RunPee permite a colaboração dos usuários e tem uma lista ainda pequena de filmes, que vai das estreias da semana a filmes mais antigos. Dois exemplos: em “Star Wars”, o momento do xixi vem com 1h40 de projeção, quando Han diz a Luke: “Ainda não escapamos desta”; em “Wolverine”, são 50 minutos até a hora do banheiro, bem no instante em que o protagonista descobre que tem garras metálicas. O site ainda indica o que acontece nos três minutos seguintes, que ele calcula como tempo médio da ida ao WC. Serviço bom é isso aí.

sábado, 28 de março de 2009

A ecologia do Fantástico

Fantástico de domingo 22/03/09.

Uma reportagem sobre ecologia(?) começa a ser exibida, e de repente eles mostram um carro movido a lixo. Os autores da "invencao" colocam raspas de madeira para fazer o carro funcionar com dificuldade. Madeira é lixo?

Depois mostram o que mais me deixou preocupado: uma cidade que supostamente é energizada pela queima do lixo. Zeca Camargo diz algo do tipo:

"Lixo nao eh um problema para essa cidade. O que seria ruim em outros lugares aqui serve para fornecer luz para 7 mil habitantes. TODO o lixo é transformado em energia".

Assim é a lição de ecologia do fantastico. Vamos produzir mais lixo pra gerar energia para nossas cidades...então tá.

José Simão é quem tem razão. Aquecimento Global é Suzana Vieira no ensaio de escola de samba para o carnaval hahahahaha

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Menina encontra R$ 20 mil em casaco doado a vítimas de enchentes em Santa Catarina

Menina encontra R$ 20 mil em casaco doado a vítimas de enchentes em Santa Catarina


Do UOL Notícias
Em São Paulo*
Uma menina de cinco anos encontrou R$ 20 mil escondidos em um casaco recebido por sua família como doação, após perder tudo na região do Alto Baú, em Ilhota, no Vale do Itajaí, durante as enchentes que castigaram Santa Catarina. As informações são do portal 'Diário Catarinense'.

O avô da menina, Daniel Manoel da Silva, 58 anos, foi atrás do doador, que é morador de Concórdia, município no Meio-Oeste catarinense, para devolver o dinheiro. "Se o dinheiro fosse entregue nas minhas mãos, teria aceitado com certeza, pois agora precisamos. Mas é uma questão de criação, fui educado assim e estou com a consciência limpa" afirmou Daniel ao 'Diário Catarinense'. Segundo o portal, ele recebeu R$ 1 mil pela honestidade.

A menina Daniele Maria Annater, 5 anos, brincava com o casaco quando encontrou o dinheiro escondido na manga. Nem a mãe nem as tias da menina haviam se interessado pela peça, considerada uma roupa muito fina para o estilo de vida da família, e iriam repassá-la para outros desabrigados.

Daniel Manoel da Silva, que plantava cana e fabricava cachaça artesanal, perdeu cinco familiares no dia 23 de novembro, quando a casa nova da família foi encoberta pela lama. Luis Paulo Hostim, 17 anos, João Pedro Silva, um ano e oito meses, Joana Maria Annater, sete meses, Nelson Galdino da Silva, 62 anos, e Maria Tatiana Hostim, sete meses, morreram soterrados.

sábado, 28 de junho de 2008

Cachorro adota filhotes de leão
















http://itodas.uol.com.br/portal/casa_e_comida/colunistas/juliana_bussab/materia.itd.aspx?cod=3918&canal=387&Pagina=1

Cachorro adota filhotes de leão

Juliana Bussab

Em visita à Africa, a jornalista Juliana Bussab flagrou um labrador que adotou uma leoa, rejeitada pela mãe por nascer com um problema nas patas traseiras. E não foi a primeira...

Na província de Limpopo, na África do Sul, em uma das muitas reservas usadas para safáris fotográficos, encontrei uma história de amor que é, no mínimo, curiosa.

Prince, um "labralata", de mais ou menos 6 anos, não é como os outros cães de estimação comuns. Quando ele vem correndo pelas trilhas em sua direção, você logo toma um susto: ao lado dele vem uma leoa, Chuby, dois anos de idade e três vezes maior do que Prince. E os dois saem rolando no chão e brincam de pega-pega como velhos amigos.

Chuby, a leoa, nasceu com um problema congênito nas patas traseiras e por isso foi rejeitada pela mãe. A reserva, que tem um programa de proteção e preservação da espécie, criou a felina em cativeiro. E Prince é a única mãe que ela conhece.

Mas ela não é a única. Ao longo dos anos, Prince adotou diversos leõezinhos, e cuidou de cada um, como cuida sempre, como se fosse seu.

Manso, esperto e amigável, Prince é um cão sem igual. Ainda filhote, os donos da reserva notaram que ele tinha uma afinidade especial com os leões. Desde o primeiro filhote rejeitado pela mãe (e foram muitos), Prince vai junto bancar a babá. E, desde então, vem criando filhotes e mais filhotes felinos.

É ele quem ensina o leãozinho ainda bebê a desenvolver atenção e reconhecer os perigos. Prince também ensina a socialização com os humanos e, por isso, esses órfãos se tornam confiáveis o suficiente para caminhadas com os turistas. Se é amigo do Prince, é amigo deles também.

A idéia é que proporcionando essa interação entre humanos e leões, as pessoas se concientizem da importância do trabalho de proteger a espécie que, acreditem ou não, ainda sofrem com a caça na África do Sul por estrangeiros ricos, que viajam especialmente para isso. Basta pagar uma pequena fortuna por um documento que autoriza a caça dos animais. Eu tive a infelicidade de ver alguns deles e o arsenal de armas que carregavam.

Quando completam por volta de 2 anos, as leoas já tem uma força incontrolável. E quando o instinto do felino que estava adormecido, começa a aparecer, é o cão que as acompanha nas novas empreitadas, apesar de não fazer a menor idéia do que é caçar. Não é a toa que Chuby atacou um javali, e como não sabe matar, começou morder a perna do bicho ainda vivo, achando que era mais um pedaço de carne. Enquanto Prince olhava com desaprovação, o javali correu, mancando, provavelmente pensando: mas que diabos de leoa é essa?

É por causa dessa força e por não obedecer mais aos comandos do cão ou dos tratadores que as caminhadas são suspensas e um outro leãozinho entra em cena. Aquilla um bebê de 2 meses é o mais novo amigo de Prince. Enquanto Prince corre entre os turistas, o filhote desbrava a mata, sobe em troncos e aguça seus instintos. Mas quando se vê sozinho, chora pedindo ajuda e lá vai Prince rápido como uma mãe que vê seu filhote em perigo. Uma bela lambida depois e Aquilla segue o cão, que indica o caminho seguro a seguir.

Com Chuby, as caminhadas são mais emocionantes. Prince corre na frente, a leoa corre atrás, o alcança, o derruba e os dois começam a brincar. Mordidas, tapas, movimentos traiçoeiros e muita agitação. Quando a brincadeira sai do controle e um dos dois reclama de dor, um dos nativos que acompanha a caminhada tenta separá-los com uma vareta, e balbucia em africânes sua sabedoria: "Errado! Errado! Espécies diferentes". Mas parece que nenhum dos dois está ligando muito para isso...

Homem é preso por criar ursa para a filha na Índia















http://www1.folha.uol.com.br/folha/bichos/ult10006u415555.shtml

Homem é preso por criar ursa-beiçuda para a filha na Índia
da Associated Press, em Nova Déli

Esta deveria ser a comovente história de um homem que adotou uma ursa órfã das florestas no leste da Índia para torná-la parte da família, confortando a filha pequena que havia acabado de perder a mãe. Mas, quando as autoridades ambientais viram a notícia na mídia local na semana passada, virou uma tragédia.

Ursa-beiçuda (Melursus ursinus) Rani e Ram Singh Munda na bicicleta do indiano; animal se recusa a comer em zoológico
Ram Singh Munda, 35, foi preso por violar leis ambientais. A ursa foi mandada para um zoológico, onde se recusa a comer. E a filha de seis anos está em um internato.
Agora, ativistas, sensibilizados com a compaixão de Munda, tentam libertá-lo e reunir a família.
"Condenamos fortemente o modo como as autoridades prenderam esse homem pobre e analfabeto que não sabia das normas oficiais", afirma Jiban Ballav Das, líder da entidade People for Animals no Estado de Orissa.
Munda é um trabalhador oriundo das tribos que vivem nas florestas a cerca de 200 quilômetros ao norte da capital do Estado, Bhubaneswar. Ele disse que achou o filhote no ano passado enquanto recolhia lenha.

Munda, a ursa-beiçuda Rani e Dulki, filha do indiano, que foi mandada temporariamente para um internato após a prisão do pai
Munda levou o animal (uma ursa-beiçuda) para casa e o batizou de Rani (Rainha).
Ele tornou-se membro da família, ainda abalada com a morte da mulher do indiano no ano anterior --especialmente sua filha, a pequena Dulki.
"Eles me prenderam. Como minha filha vai sobreviver?", perguntou o indiano no canal CNN-IBN enquanto era levado para a prisão. "Não consigo entender por que fui punido por cuidar bem de um urso que estava perdido na floresta e poderia ter morrido se eu não o tivesse levado para minha casa."
A ursa está em uma área isolada do zoológico da região.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Militantes da civilização

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1606200806.htm

MARINA SILVA


Militantes da civilização

NA SEMANA PASSADA o Congresso brasileiro recebeu dois grandes homens: um bengalês e um indiano, ambos cidadãos do mundo. Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz de 2006, criador do Banco da Aldeia, que deu aos pobres microcrédito e oportunidade de gerar emprego e renda. Rajendra Pachauri, Nobel da Paz em 2007 como chefe do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que demonstrou a gravidade do aquecimento global e a urgência de medidas para controlar seus efeitos.
É paradoxal a singeleza com que trazem uma pororoca de desafios que a humanidade não pode banalizar nem deles fugir. Ao lado de seus temas específicos -pobreza e mudanças climáticas-, Yunus e Pachauri são portadores do grande tema oculto de nosso tempo: a coragem, tanto para mudar quanto para manter o que tem que ser mantido.
A sociedade de consumo, amplamente vitoriosa, nos impõe uma derrota acachapante: o fatalismo, a crença de que o mundo é assim mesmo, atracado a um conceito de civilização assustador, cuja medida de avanço é o aumento da capacidade de consumir. Quanto trabalho humano e quanto em recursos naturais e energia são gastos para multiplicar consumo perdulário?
Não fosse nosso insustentável desejo de ter, essa força monumental poderia ser redirecionada para dar habitação digna, saúde, alimentação, educação e meio ambiente equilibrado para todos.
Fatalismo pode ser explicação plausível para tanta inércia diante do que podemos chamar de Consenso dos Insensatos, o conluio de poderes para colocar interesses pequenos sempre à frente quando se trata de combater os impactos da máquina de produzir "civilização" descartável, risco ambiental e exclusão social.
Yunus e Pachauri são pessoas simples, discretas. Ambos se dedicam a levar o extraordinário para o dia-a-dia. Lembram que há espaço para a contribuição de todos, de onde saem as grandes mudanças.
Mostram a conexão inexorável dessa nossa encruzilhada civilizatória: não há soluções isoladas. Os instrumentos são econômicos, tecnológicos, sociais, mas eles serão inócuos sem um redirecionamento de processos e de demandas. Isso implica decisões pessoais e coletivas, culturais e espirituais, éticas e até estéticas. O caminho que leva ao abismo nos dá sinalizações para a volta. Há que fazer escolhas.
Hoje, para quem quiser se engajar, não é mais possível ser só ambientalista, ou só militante de causas sociais, políticas, culturais. É preciso se engajar em tudo, ser militante da civilização.

contatomarinasilva@uol.com.br

domingo, 9 de dezembro de 2007

Globalização

Globalização também é o seguinte:

O dia que desligarem o google voltaremos ao jardim de infância.

O dia que a China disser que não custa mais 1,99 voltaremos ao século XIX.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Boa jogada de marketing da Singapore Airlines, faz propaganda da suite do jumbo e ainda deixa as pessoas interessadas em tentar fazer o proibido.

Acho que a galera do "Cansei" devia se mudar para Cingapura. O risco é eles terem cansado daquilo também.


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Singapore Airlines proíbe sexo em suítes de luxo do Airbus-A380

Publicidade da Efe, em Kuala Lumpur

A Singapore Airlines (SIA), a primeira operadora comercial do Airbus-A380, proibiu os usuários de suas 12 suítes de luxo de manter relações sexuais durante os vôos, para não ofender a tripulação e o resto dos passageiros.

Em comunicado publicado hoje pela imprensa de Cingapura, a SIA explicou que a medida afeta especialmente as 12 suítes, equipadas com uma cama de casal, monitores de televisão de tela plana, uma mesa de escritório e poltrona reclinável.

Segundo a SIA, as cabines não são totalmente isoladas. Assim, a atividade sexual poderia perturbar ou incomodar os passageiros e causar problemas durante as turbulências aéreas.
O Airbus-A380 da SIA realizou na semana passada seu primeiro vôo comercial entre Cingapura e Sydney, com 471 passageiros.

sábado, 20 de outubro de 2007

Pensamentos de um "correria"

Folha de São Paulo
08/10/2007 - 09h00

Opinião: Pensamentos de um "correria"


FERRÉZ

ELE ME olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto.
Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos.
Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo. O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada.
O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga.
Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita.
Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal.
Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito.
Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber.
Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado?
Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém.
Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra. Não acreditava em heróis, isso não!
Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto.
Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora.
Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso.
Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo.
A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos!
Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa.
Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou.
No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.
Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.

REGINALDO FERREIRA DA SILVA, 31, o Ferréz, escritor e rapper, é autor de "Capão Pecado", romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de "Ninguém é Inocente em São Paulo", entre outras obras.Leia o artigo de Luciano Huck em www.folha.com.br/072801

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

sábado, 24 de março de 2007

O que fazem pela Bahia os cantores de Axé?

Estava reparando essas propagandas que alguns cantores de Axé fazem na TV.

Tem dias que aparecem vendendo cerveja, outros aparecem vendendo automóveis.

Cada um sabe quanto dinheiro precisa ganhar na vida. E os cantores de Axé parece que ainda não estão satisfeitos, quando aceitam ser garotos-propaganda da maior causa de morte no Brasil.

Sim, porque depois reclamam que os meninos não entendem direito a mensagem, e misturam as duas propagandas. Alguns se dão mal.

Os velhos cantores de Axé, com raras e honrosas exceções como Daniela Mercury e Margareth Menezes, são além de tudo um péssimo exemplo para as novas gerações de artistas baianos, com sua arte descartável e sua ostentação imbecil.

Nunca vi Caetano Veloso fazer propaganda de nada. Só de filme sobre a Bahia.

Nunca vi Gilberto Gil fazer propaganda de nada. Só sobre um curso de violão em fascículos (Toque) e calça jeans. Mas calça jeans tá liberado!!

Sobre o Blog do Lê Quem Quer

Não sou muito chegado a blog.

Considero o blog um retrocesso meio narcisista comparado aos fóruns e grupos de discussão da internet, essa sim uma prática de comunicação que permite a interação de muitos para muitos.

Por sinal tenho escrito sobre comunidades virtuais na minha dissertação de mestrado, quem quiser dar uma olhada em um artigo publicado na revista E-Compós, é só clicar: http://www.compos.org.br/e-compos/adm/documentos/ecompos07_dezembro2006_inacio_rubens.pdf

De qualquer forma, há quem diga que os blogs também constituem comunidades virtuais. Quando os autores são suficientemente famosos para atrair uma comunidade ao redor deles. Não é o meu caso. Meu único objetivo aqui é compartilhar algumas idéias que me ocorram no dia a dia com quem por acaso chegue até aqui, navegando e divagando pela internet.